Hades has a Town (legendado em pt)

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Hades has a Town (legendado em pt)

Olá! Olá! – Olá! – Olá! Era uma vez uma ferrovia Não pergunte onde nem quando, irmão Era uma estrada para o inferno Eram tempos difíceis Era um mundo de deuses e homens! – É uma velha canção – É uma velha canção É uma velha história de muito tempo atrás – É uma velha canção – É uma velha canção E eles vão cantar novamente Se preparem! Temos algo aqui hoje No caminho para o inferno havia uma ferrovia E haviam três velhas vestidas iguais Elas sempre estão cantando dentro da sua cabeça Pessoal, conheçam as Moiras! No caminho para o inferno havia uma estação de trem E um homem com penas nos pés Que te ajuda a chegar ao seu destino Sr. Hermes, sou eu! – É uma triste canção – É uma triste canção É uma história triste, uma tragédia! – É uma triste canção – É uma triste canção Mas cantamos mesmo assim No caminho para o inferno havia uma ferrovia E uma moça descendo de um trem Com uma mala cheia de verão, Perséfone era seu nome Ele? Nós vamos chegar nele Podem ficar o tempo que quiser nessa ferrovia Pendurem seus chapéus na parede Irmãos e irmãs, garotos e garotas, a classe trabalhadora mais esforçada do mundo inteiro! Além de trabalhar muito, eles também dançam muito! Muito bem Muito bem! Na ferrovia a caminho do inferno, havia um pobre garoto compondo uma canção Pobre garoto, cantando sozinho, esperando alguém se juntar a ele na ferrovia para o inferno Como esta jovem, procurando algo para comer E assim começa a história de Orfeu e Eurídice! – É uma canção de amor – É uma canção de amor É uma história de amor bem antiga

– É uma triste canção – É uma triste canção Mas vamos cantar essa canção – É uma velha canção – É uma velha canção É uma velha história bem antiga E vamos cantar, vamos cantar, vamos cantar de novo! Eurídice era uma jovem garota faminta Nesse mundo de deuses e homens, jovem garota faminta contra o mundo Contra o vento Coisas estranhas acontecem hoje no mundo O outono chega cedo e a primavera atrasa Num dia o verão vem, no outro se vai E o vento continua a soprar E não há nada que você possa fazer quando o tempo se vira contra você A não ser sair correndo para onde quer que o vento vá Começa a ventar! Ouve esse som? Começa a ventar! Vou para outra cidade Ninguém vai continuar aqui quando as nuvens escuras chegarem, para onde quer que o vento as leve As Moiras eram como o vento Alguém tem um palito de fósforo? Você não pode vê-las, mas pode ouví-las Obrigada Estavam sempre sussurrando no ouvido dessa jovem garota Coisas estranhas acontecem quando mudam as estações No leste houve um furacão, mas o oeste está cheio de neblina E o vento continua a soprar E não há abrigo da tempestade Você procura desde quando nasceu E vai procurar até morrer, não importa para onde o vento sopre Começa a ventar! Você começa a pensar Começa a ventar! Que faria qualquer coisa pra não ficar de estômago vazio Pra ter uma cama onde pudesse se deitar Onde estaria protegida do clima Aonde quer que vá, o vento irá soprar Orfeu era um pobre garoto, mas tinha um dom para oferecer Eurídice sabia sobreviver, Orfeu sabia viver Venha comigo – Quem é você? – Seu futuro marido! Tem algo pra comer? Tenho uma melodia – Um cantor! É o que você é? – Também toco baixo Baixo? Então você só quer saber de baixaria? Já conheci muitos como você – Não sou como os outros – Não é? Por que é diferente? Estou compondo uma canção E quando eu terminar, ela vai trazer a primavera de volta A primavera? Quando? Hoje em dia não há primavera ou outono, teremos sorte se o verão vier Vamos mudar isso <i>Uma canção para reparar os erros, para consertar o que está quebrado.</i> <i>Uma canção tão linda que vai reajustar o mundo.</i> <i>Consertar o tempo</i> <i>e, então, me caso com você.</i> Na primavera Você é louco! Por que eu deveria ser sua esposa? Porque isso faria eu me sentir vivo

Vivo? Isso vale “muito”! E o que mais? Querido, diga-me se puder, quem vai comprar as alianças? Do jeito que as coisas estão, ruins e piorando cada vez mais Querida, quando eu cantar minha canção, todos os rios cantarão também Vão abrir suas margens para nós e revelar o ouro que escondem bem brilhantes sob a terra e ficarão lindos na sua mão Os rios nos darão as alianças Querido, diga-me se for capaz, quem vai preparar o banquete? Do jeito que as coisas estão, sombrias e piorando cada vez mais? Querida, quando eu cantar minha canção, todas as árvores cantarão também Vão esticar os seus galhos e colocar seus frutos no chão As amêndoas, as maçãs e o açúcar do bordo As árvores nos darão o banquete Quando cantar sua canção, essa que está compondo, a primavera vai voltar? – Sim – Por que não canta, então? Não está pronta Cante – Quer me levar com você? – Sim Cante a canção La, la, la, la, la, la, la La, la, la, la, la, la, la La, la, la, la, la, la, la – Como faz isso? – Eu não sei Mas ainda não está terminada Mesmo assim é linda – Eu sei – Precisa terminá-la Querido, diga-me, quando nos casarmos, quem vai preparar a cama? Do jeito que as coisas estão, ruins e piorando cada vez mais Querida, quando eu cantar minha canção, todos os pássaros cantarão também Virão voando até nós para nos dar suas penas e vamos nos deitar sobre elas com um travesseiro sob nossas cabeças Os pássaros vão preparar nossa cama E as árvores nos darão o banquete E os rios nos darão as alianças – Sou Orfeu – Eurídice De onde você conhece essa melodia? Eu não sei, apenas veio a mim – É como se eu conhecesse há muito tempo – E conhece! É uma velha canção Uma canção de amor muito antiga, mas faz tempo que eu ouvi – Já ouviu essa melodia antes? – Sim Conte-me mais – O que sabe sobre os deuses? – Sobre os deuses? Quais? Hades e Perséfone Você sabia que era o amor deles que fazia o mundo girar? Sim, mas estamos no presente – E isso já faz tempo -Diga-me o que sabe Lá no começo,

havia uma mulher e um homem Não sei como a história termina, mas foi assim que começou Rei de ouros, rei de espadas Hades era rei do reino da sujeira Mineiros das minas, escavadores de tumbas, se curvavam a Hades, que lhes dava emprego E ele não se curvava a ninguém, acima ou abaixo Até que a maior das flechas o acertou no coração e o rei do submundo se apaixonou por uma mulher que caminhava em um jardim Continue Rainha das flores, rainha dos campos Rainha do verde e de tudo o que era vivo Madame Perséfone, metade do ano ficava lá em baixo com Hades Hades, o rei Na outra metade ela podia andar ao sol E então o sol brilhava duas vezes mais, por isso existem as estações, assim como o ciclo das sementes e das flores, e das vidas das pessoas, e dos pássaros e seus vôos Continue a cantar – La, la, la, la, la, la, la – Lá em baixo e aqui em cima – La, la, la, la, la, la, la – Em harmonia e ritmo – La, la, la, la, la, la, la – Os deuses cantavam uma canção de amor – La, la, la, la, la, la, la – E o mundo cantava com eles Esta canção era cantada pelos deuses Há muito tempo, era sim Mas isso já faz tempo, foi antes de estarmos nessa estrada – No caminho para o inferno havia muita espera – Espera – Todos esperando por um trem – Esperando pela moça com uma – Esperando pelo trem que traz a moça – Moça A moça com uma maleta – Ela está sempre esperando – Esperando, esperando Hoje em dia ela não fica por muito tempo, mas coisas boas vêm para quem espera Aí vem ela! – Como ele disse, eu viajo muito – Por que você demorou? – Casada com o rei do submundo – Você se perdeu no caminho? – Querem saber onde eu estava? – Sim! – Onde esteve? – Acho que sei No inferno, mas já voltei! – Deixe-me dizer uma coisa – Sim? Irmão, quando você está por baixo, você está por baixo Quando você está por cima, você está por cima Se você não está enterrado a sete palmos, você está com tudo em cima Mas não vamos falar de coisa ruim, sirva o vinho e vamos celebrar! – Agora estamos vivendo – Estamos vivendo Vivendo com tudo em cima! – Irmão, aqui estamos vivendo – Estamos vivendo Com tudo em cima, aqui em cima! Aqui em cima, às vezes, é difícil, mas estamos com tudo em cima Passamos por dificuldades, mas estamos com tudo em cima, aqui em cima – Temos ar nos pulmões e estamos com tudo em cima! – Vivendo com tudo em cima! – E podemos cantar canções – Vivendo com tudo em cima, aqui em cima! Deixe-nos cantar juntos, deixe a música rolar Assim podemos atravessar os maus momentos Porque os dias de inverno acabaram e a noite é uma criança – E agora estamos vivendo – Estamos vivendo Vivendo com tudo em cima! Irmão, aqui estamos vivendo – Estamos vivendo Com tudo em cima, aqui em cima! E assim era o verão Eu estou apenas começando!

As flores cresciam, os frutos amadureciam! Quem disse que as coisas estão ruins? E era sempre assim Alguém quer uma bebida? O mundo voltava a ter vida Aqui em cima não temos muita coisa, mas estamos com tudo em cima! Temos o suficiente para encher nossos copos Com tudo em cima, aqui em cima! – Irmão, passe essa garrafa! – Vivendo com tudo em cima! Deixe o poeta fazer o brinde! À madrinha de tudo isso, Perséfone! – Isso aí! – Que finalmente voltou para nós Esse presente divino dos deuses Que ela fique tempo suficiente para servir vinho em cada copo, em cada mão Quando os dias difíceis voltarem, vamos nos lembrar dessa noite Vamos erguer nossos copos bem alto Se ninguém for egoísta, sempre vai ter para todo mundo Ela sempre poderá nos servir e nós sempre poderemos brindar Ao mundo que sonhamos E ao mundo onde vivemos hoje – Porque agora estamos vivendo – Estamos vivendo Vivendo com tudo em cima – Irmão, aqui estamos vivendo – Estamos vivendo – Ouça bem, nós estamos com tudo em cima, aqui em cima! – Aqui em cima! Com tudo em cima e não vamos parar! – Vivendo, vivendo – Vivendo, vivendo Com tudo em cima, aqui em cima! Orfeu era um pobre garoto, mas tinha um dom para oferecer Ele podia fazê-lo ver como o mundo poderia ser, em vez de como é E Eurídice era uma jovem garota, mas sabia muito bem como o mundo era Mas sua visão de mundo foi transformada pelo amor de Orfeu Estive só por tanto tempo que nem percebi que estava só

Com frio por tanto tempo que nem percebi que estava com frio Eu, sozinha, contra o vento Comigo foi sempre assim Eu sempre soube cuidar de mim mesma Eu sempre soube cuidar de mim mesma, mas agora quero cuidar de você, também Você me envolve em seus braços e, de repente, o dia fica ensolarado Tudo quente, claro e brilhando como nunca E, por um momento, eu me esqueço como tudo é escuro e frio Eu sempre soube cuidar de mim mesma Eu sempre soube cuidar de mim mesma, mas, agora, quero cuidar, agora quero cuidar muito bem de você Quero te abraçar e nunca te soltar Agora quero cuidar muito bem de você Não quero voltar para o escuro Eu nunca estive só, sempre tive uma plateia comigo Quando te vi, sozinha contra o céus, era como se te conhecesse há muito tempo Me apaixonei antes de nos conhecermos E não sei se já conheço Tudo o que eu quero é alguém que eu conheça bem Tudo o que eu quero é alguém eu que conheça bem e eu mal te conheço Mas agora quero cuidar muito bem de você Quero te abraçar e nunca te soltar Agora quero cuidar muito bem de você Não quero voltar pra uma vida solitária Diga que vai cuidar de mim para sempre Diga que o vento não vai nos separar Diga que ficaremos juntos, que sempre estaremos assim Vou cuidar de você para sempre O vento não vai nos separar Enquanto ficarmos juntos, – tudo vai ficar sempre assim – Tudo vai ficar sempre assim No caminho para o inferno havia um trilho de trem – Ah, qual é? – Um trem vinha de lá de baixo – Ainda não se passaram seis meses! – Melhor preparar sua bagagem, já é hora de ir É uma longa viagem até lá em baixo, bem longe desse cortiço aqui Chame de “inferno” ou de “Hadestown”, não faz diferença nenhuma! Lá em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão Vira-latas uivam e os apitos não param Os trens chegam a todo momento Ninguém sabe para onde o velho trem vai Os que vão com ele, jamais voltam Eles vão lá para baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão O inverno está chegando e o verão acabou Ouça o barulhento e solitário som do meu marido vindo me buscar para me levar à Hadestown

Lá em baixo, em Hadestown bem abaixo do chão Lá em baixo todos parecem mortos Irmão, eu vou morrer de tédio Vou ter que levar umas coisinhas para me deixar mais alegre Quero um pouco de morfina, quero algumas garrafas de vinho Preciso de muitos “remedinhos” pra sobreviver ao inverno Lá em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão – Todos usam roupas bem chiques! – Todos têm os bolsos bem cheios! – Todos bebem vinho de ambrosia! – Numa mina de ouro em Hadestown! Lá em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão Todos são famintos, todos estão cansados Todos são escravos do seu prórpio suor! O salário é pouco e o trabalho é muito É uma tortura viver em Hadestown! Lá em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão Todas as moedas no poço dos desejos, todos os metais da bateria – Da bateria! – Todos os brilhantes da cabeça aos pés, de onde acha que vêm? Lá de baixo, de Hadestown, bem abaixo do chão – Sr. Hades é um chefe maldoso – Com seu apito de prata e sua balança de ouro – Olho por olho! – Ele mede o preço – Mentira por mentira! – E vende sua alma! – Vendida! – Para o rei no trono de crômio – Jogada! – Numa cela de prisão – Onde as rodas dos trens fazem muito barulho – E esqueça o seu poço de desejos! Lá em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão No caminho para o inferno havia um vagão A porta se abriu e um homem desceu Todo mundo olhou e todo mundo viu, era sobre ele que todos cantavam Você está adiantado! Senti sua falta Sr. Hades é um rei poderoso, deve fazer acordos poderosos – Parece que é dono de tudo – Te faz imaginar como deve ser Todos a bordo! Um, dois, um, dois, três, quatro! Lá em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão Lá em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão Bem abaixo do chão Bem abaixo do Chão! – Com Perséfone longe, o inverno apareceu – É cedo demais – O inverno – É cedo demais! Não é para ser assim Bem, até que alguém “reajuste o mundo”, é assim que vai ser – O tempo fechou e o vento chegou – Não era assim antes – O vento chegou e as nuvens apareceram – Acho que sei o que está errado As nuvens apareceram e a pressão subiu – Eurídice, acho que sei – O que é? Preciso terminar a canção! – Começa a ventar! – Precisaremos de roupas – Começa a ventar! – Precisaremos de lenha Orfeu e Eurídice – Nunca vi o céu assim – Pobre garoto compondo uma canção – Você me ouviu, Orfeu? – Jovem garota procurando o que comer Sob uma forte tempestade

Lá no começo Havia uma mulher e um homem Não sei como o mundo vai acabar, mas foi assim que começou Rei da prata, rei do ouro e de todos os brilhantes do solo Hades era rei do petróleo e do carvão, e das riquezas encontradas por onde os rios percorriam Metade do ano, com Perséfone longe, sua solidão se transformava numa maldade sombria Ele imaginava sua esposa abraçada pelo do sol e o ciúme o dominava, o corroía e o corrompia, perguntando-se se ela iria voltar Com medo de ela nunca voltar, perguntando-se se sua amada iria voltar Cantando “la, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la” Rei do concreto, rei dos tijolos O rio Estige era um rio de pedras Hades as ergueu bem alto com um milhão de mãos que não eram suas E um milhão de pés que estavam juntos Que acompanhavam os passos de Hades E um milhão de mentes que eram apenas uma E as bocas dos mineiros eram um milhão de bocas que cantavam tão alto que silenciaram o som daquele “la, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la La, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la” Abaixada, mantenha sua cabeça abaixada É preciso manter sua cabeça abaixada Se quiser manter sua cabeça, mantenha sua cabeça abaixada Mantenha sua cabeça abaixada, é preciso manter sua cabeça abaixada Se quiser manter sua cabeça, mantenha sua cabeça Na época mais fria do ano, por que está tão quente aqui? Mais quente que um caldeirão Não é certo, não é natural! Querida, você estava longe há tanto tempo, eu estava solitário, então construí uma fundição abaixo do chão onde estão seus pés e construí coisas de aço, como barris e automóveis, alimentando a fornalha com os fósseis dos mortos Querida, quando sentir esse calor, pense nele como meu amor, pense nele como meu amor por você Ele colocou trens nos trilhos, criou mais indústrias, fumaça nas chaminés de suas fábricas Mas, todos os dias, ele não conseguia se livrar da dúvida e do medo de sua amada o deixar Na sua cabeça, havia um motor funcionando com muitos parafusos, rodas e engrenagens

Até que saíram do ritmo e erraram o tempo da canção que ele ouvia, e ele não pôde mais ouvir aquele – “La, la, la, la, la, la, la” – Abaixada, mantenha sua cabeça abaixada – “La, la, la, la, la, la, la” – É preciso manter sua cabeça abaixada – “La, la, la, la, la, la, la” – Se quiser manter sua cabeça, mantenha sua cabeça – “La, la, la, la, la, la, la” – abaixada, mantenha sua cabeça abaixada – “La, la, la, la, la, la, la” – É preciso manter sua cabeça abaixada, se quiser manter sua cabeça Enquanto compõe sua canção, há uma tempestade se aproximando Orfeu, em toda minha vida, nunca vi um céu assim Diga-me, querido, se a canção que está compondo irá nos proteger do vento, do vento, do vento Já terminou? Ainda não Termine logo! Na época mais escura do ano, por que está tão claro aqui? Mais luminoso que um carnaval Não é certo, não é natural Querida, você estava longe há tanto tempo, eu estava solitário, então construí uma rede elétrica abaixo do chão onde estão seus pés Foi tão eletrizante quando eu acendi os neons! Projeções e raios de cátodo mais brilhantes que a luz do dia Querida, quando vir essa luz, pense nela como meu desespero, pense nela como meu desespero por você Ele errou o tempo e saiu do ritmo Mantinha Perséfone com ele e o inverno continuava Às vezes, ele vinha à superfície e a levava para lá antes de chegar o fim do verão Vagões com carvão surgiram e os campos de petróleo vieram do mundo lá de baixo para o mundo daqui de cima – Mantenha sua cabeça abaixada – Tudo para se satisfazer – Mantenha sua cabeça abaixada – Mantenha sua cabeça abaixada – As estações desapareceram – Mantenha sua cabeça abaixada – e o vento ficou tão forte – Abaixada – que amaldiçoou nosso mundo – Abaixada – Abaixada – Tudo porque os deuses – Abaixada Porque se esqueçeram da sua canção de amor! – Cantando “la, la, la, la, la, la, la” – Abaixada, mantenha sua cabeça abaixada – “La, la, la, la, la, la, la” – É preciso manter sua cabeça abaixada – “La, la, la, la, la, la, la” – Se quiser manter sua cabeça, mantenha sua cabeça – “La, la, la, la, la, la, la” – abaixada, mantenha sua cabeça abaixada – “La, la, la, la, la, la, la” – É preciso manter sua cabeça abaixada, se quiser manter sua cabeça Sempre compondo aquela canção, eu nunca vi o vento tão forte, girando todos os cataventos, assoviando nas planícies Agora percebo que a canção que ele está compondo não vai me proteger do vento, do vento, do vento Eurídice era uma jovem garota faminta Ela conhecia bem os ventos, mas nunca tinha visto nada parecido como a tempestade que a alcançou – Nos dê abrigo! – Todo mundo sofria – Nos dê abrigo! – Me proteja! – quando os deuses brigavam! – Me proteja! A cada ano piora Hadestown é o inferno na Terra! Achou que eu ficaria impressionada com essa necrópole neon? Querido, o que você se tornou? Vagões com carvão e barris de petróleo? Paredes de depósitos e pisos de fábricas? Não lhe reconheço mais Enquanto isso, lá em cima, colheitas morrem e pessoas passam fome As marés sobem e inundam tudo Não é certo e não é natural! Querida, tudo o que eu faço, eu faço pelo seu amor Se não quer o meu amor, vou dá-lo a quem queira Alguém grata pelo seu destino Alguém que saiba apreciar o conforto de uma gaiola dourada e que não tente voar pra longe quando a Mãe Natureza chama Alguém que ame esses muros que a manterão por perto e segura e que o veja como meu amor – Cantando “La, la, la, la, la, la, la” – Abaixada, mantenha sua cabeça – Cantando “La, la, la, la, la, la, la” – Nos dê abrigo! Que o veja como meu amor – “La, la, la, la, la, la, la” – Abaixada, mantenha sua cabeça Me proteja! Que o veja como meu amor por você Ei, passarinho,

cante para mim Sou um homem ocupado e não tenho muito tempo Tenho clientes para ligar, tenho pedidos para atender Tenho muros para construir, tenho rebeliões para conter E eles vão me infernizar lá no inferno Ei, passarinho, o gato comeu sua língua? Sempre tenho pena de alguém tão bonita e jovem quando a pobreza vem e corta suas asas, tirando o ar de dentro dos seus pulmões Não dá pra cantar sem ar Uma proposta estranha de um homem estranho, quero voar até ele e comer em sua mão Quero um lugar calmo para pousar Quero me deitar para sempre Ei, passarinho, você tem algo de especial Você brilharia como um diamante lá na mina E a escolha é sua se quiser ir Vendo como você não tem nada a perder e eu gostaria de um canário De repente, nada é como antes Onde está você agora, Orfeu? Não era para estarmos sempre juntos? Não era pra voarmos sempre juntos? Ei, passarinho, deixe-me advinhar: ele é um poeta e não tem dinheiro? Você lhe dá sua mão e ele lhe dá migalhas de pão? Ele vai lhe escrever um poema quando faltar luz em casa? Por que não voar para o sul, no inverno? Ei, passarinho, olhe à sua volta Veja como as víboras e abutres a cercam Eles vão te derrubar e te devorar até não sobrar nada Se ficar aqui, que cena terrível será As pessoas ficam maldosas quando a esmola acaba Passarinho contra cascavel! O que é isso? Eurídice era uma pobre jovem faminta Sua passagem E Hades lhe ofereceu uma escolha Uma passagem para o submundo – A vida não é fácil – A vida não é justa Uma garota precisa lutar pelo que quer O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? – Pense em você – Que os outros vão para o inferno Até mesmo aquele que te ama muito O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? Oh, essa dor no meu coração O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? – Aceite o que puder – Doe só se precisar

Não dá pra confiar em ninguém além de si mesma! O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? – Mire no coração – Atire para matar Se você não fizer, alguém vai fazer! O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? Os primeiros serão os primeiros e os últimos serão os últimos Se pedir ajuda aos deuses será apunhalada pelas costas! Ninguém é justo, ninguém é orgulhoso Ninguém é inocente agora que as esmolas acabaram Agora, agora, agora, agora, agora que as esmolas acabaram! Orfeu, meu coração é seu Sempre foi e sempre será Mas não posso ignorar meu estômago, Orfeu Tenho fome Meu coração dói ao admitir, mas meu corpo vai vencer O caminho é sombrio e longo, mas eu já parti Vá em frente, pode julgá-la – Fale de virtude – Fale de pecado Você não teria feito o mesmo? – No lugar dela? – Na pele dela? – Você consegue manter seus princípios – Quando a barriga está cheia – Mas quando a fome te pegar – Não dá pra saber como você vai reagir Quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram O que vai fazer quando as esmolas acabarem, agora que as esmolas acabaram? – Eurídice? -Ah, o grande artista! – Não está trabalhando na sua obra-prima? – Onde ela está? Irmão, por que se importa? Você encontra outra em algum lugar – Onde ela está? – Por que quer saber? Onde ela estiver eu vou E se eu disser que ela está lá em baixo? – Lá em baixo? – Lá em baixo. A sete palmos da terra Ela chamou pelo seu nome antes de ir, mas acho que você não estava ouvindo – Não – Então? O quão longe iria por ela? Até o fim dos tempos, até o fim do mundo! – Você tem uma passagem? – Não É, eu imaginei É claro que há outro caminho, mas eu não posso dizer – Outro caminho? – Dando a volta Mas não é tão fácil, mané Não é para almas sensíveis Então, você realmente quer ir? De todo coração “De todo coração”? Bem, já é um começo Para chegar a Hadestown, Terá que ir pelo caminho mais longo, escondido, na calada da noite Faça silêncio, não deixe ninguém o ver Não há bússola, irmão, não há mapa, apenas os cabos de telefonia e os trilhos do trem Siga em frente e não olhe para trás até chegar no fim do mundo Espere por mim, estou chegando!

Espere, eu vou com você! Espere por mim, eu vou também, eu vou também! O rio Estige é alto e comprido, com tijolos pesados e arame farpado Muros de ferro e concreto com cães de guarda ao redor Esses cães não serão um problema se você tiver um pedaço de pão, mas se você só tiver suas duas pernas, é bom agradecer por tê-las! Espere por mim, estou chegando! Espere, eu vou com você! Espere por mim, eu vou também, eu vou também! Quem é você? Aonde pensa que vai? Quem é você? Por que está sozinho? – Quem você – Acha que é? – Quem é você – Para achar que pode andar por onde nunca ninguém andou? La, la, la, la, la, la, la La, la, la, la, la, la, la – La, la, la, la, la, la, la – La, la, la, la, la, la, la Você tem que fugir, se esquivar, não diga seu nome, finja que nem tem! E não encare ninguém, aquela cidade vai tentar te corromper Corromper seu cérebro, o ar de seus pulmões, até mesmo o coração em seu peito Vão te vestir com suas melhores roupas e colocar algodão na sua boca Espere por mim, estou chegando! Espere, eu vou com você! Espere por mim, eu vou também, eu vou também! Estou chegando, espere por mim! Ouço as paredes tremendo, os tijolos caindo aos meus pés fazem sons de tambores Sei que não estou sozinho Ouço as pedras e rochas ecoando minha canção – Estou chegando! – Estou chegando! Por que construímos um muro, meus filhos, meus filhos? Por que construímos um muro? Por que construímos um muro? Construímos um muro para nos manter livres É por isso que construímos um muro, construímos um muro para nos manter livres Como o muro nos mantém livres, meus filhos, meus filhos? Como o muro nos mantém livres? Como o muro nos mantém livres? O muro afasta os inimigos E construímos o muro para nos manter livres É por isso que construímos o muro, construímos o muro para nos manter livres Quem chamamos de “inimigo”, meus filhos, meus filhos?

Quem chamamos de “inimigo”? Quem chamamos de “inimigo”? O inimigo é a pobreza E o muro afasta os inimigos, e construímos o muro para nos mantermos livres É por isso que construímos o muro, construímos o muro para nos manter livres Porque nós temos e eles não, meus filhos, meus filhos Porque eles querem o que nós temos Porque nós temos e eles não, porque eles querem o que nós temos O inimigo é a pobreza e o muro afasta os inimigos, e construímos o muro para nos manter livres É por isso que construímos o muro, construímos o muro para nos manter livres O que nós temos que eles querem, meus filhos, meus filhos? O que nós temos que eles querem? O que nós temos que eles querem? Nós temos um muro para trabalhar Temos trabalho e eles, não E o trabalho nunca acaba, meus filhos, meus filhos! E a guerra nunca acaba! O inimigo é a pobreza e o muro afasta o inimigo, e erguemos o muro para nos manter livres É por isso que construímos o muro, construímos o muro para nos manter livres Construímos o muro para nos manter livres Hades, então, disse a Eurídice: Você precisa assinar uns papéis Venha para o meu escritório E fecharam a porta do local Muita coisa pode acontecer entre quatro paredes Com certeza, irmão, isso é fato Mas muita coisa também acontece entre os trabalhadores quando o chefe não está olhando Alguém quer uma bebida? Não sei quanto a vocês, meninos,

mas, se vocês são como eu, então ficar aqui em baixo está lhes deprimindo Ficar aqui em baixo começa a te afetar A claustrofobia vira regra Você fica louca, presa nessa rotina Você precisa de algo para te animar Posso oferecer aquilo que querem Uma surpresinha dos bons momentos: tenho um pouco de vento aqui nesse pote, tenho a chuva numa garrafa, no bar Tenho luz do sol numa prateleira, permita que eu me apresente: irmão, qual é meu nome? Meu nome é Nossa Senhora do Submundo! – Irmão, qual é meu nome? – Nossa Senhora do Tráfico, Nossa Senhora do Contrabando! Irmão, qual é meu nome? Meu nome é Nossa Senhora do Caos! Quer saber meu nome? Eu digo meu nome: Perséfone! Vem cá, irmão, deixe-me advinhar: é das pequenas coisas que você sente falta Flores da primavera, folhas do outono É só pedir, irmão, e eu te dou Ou talvez esses não sejam o suficiente Talvez queiram algo mais forte Sou boa em reconhecer um olhar sofrido Quando foi a última vez que viu o céu? Limpe suas lágrimas, irmão Irmão, eu sei como se sente Posso ver que está cego pela tristeza daqui Olhe mais perto e tudo se revelará Olhe mais perto e veja: Há uma brecha no muro! Senhoras e senhores, Nathaniel Cross no trombone! David Kadumukasa no violoncelo! Ros Stephen no violino! Brad Webb na percussão! Nicki Davenport no baixo! No violão, David Delarre! Mike Guy ao piano! Querem estrelas? Eu tenho um céu cheio! Me passe uns trocados e pode se jogar! Quer a lua? Eu tenho também! Ela está bem aqui no meu pay-per-view! Quanto tempo faz? Um banho de lua não faz mal a ninguém

Um de cada vez, meninos! Façam uma fila! Do que o chefe não sabe, o chefe não reclama – Em Hadestown havia muitas almas – Abaixada, mantenha sua cabeça – trabalhando no muro com toda a sua força – É preciso manter sua cabeça – E mantinham suas cabeças abaixadas – Se quiser manter sua cabeça Não dava para ver seus rostos direito, mas era possível ouví-las cantando: Abaixada, mantenha sua cabeça Batendo seus martelos no chão frio, era possível ouvir o som das picaretas Se quiser manter sua cabeça – E chamavam isso de “liberdade” – Liberdade Livre! Estamos livres! O Sr. Hades nos libertou! O Sr. Hades te libertou para que trabalhe aqui em baixo “Livre” para passar a eternidade – numa fábrica, – num depósito, onde os apitos gritam, – e te dão pontapés, pontapés, pontapés – E você não pode dar no pé! – Você está aqui em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão – Abaixada, mantenha sua cabeça abaixada – Você está aqui em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão – É preciso manter sua cabeça abaixada, se quiser manter sua cabeça Eu não entendo Vocês disseram que esse lugar era o paraíso – Venda sua alma – E lide com as consequências Isso foi tudo o que lhe prometemos! – Ouça o forte som das fanfarras – Você fez sua travessia do rio Achou que ia conseguir relaxar e viver em paz no paraíso, mas não há descanso para almas infelizes, Hades vai continuar te castigando Jogando mais carvão em sua fornalha para que ela continue queimando! – Aqui em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão – Abaixada, mantenha sua cabeça abaixada – Aqui em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão – É preciso manter sua cabeça abaixada, se quiser manter sua cabeça Mas não percebem? Comigo é diferente! – Diferente de quem? – Eles também achavam que eram diferentes – Lá no rio do esquecimento – Você abriu mão da sua antiga vida – Hades colocou suas mãos em você – E te deu esta vida eterna Com direito a trabalho sem descanso – na mina – no moinho – no maquinário Comandando sua linha de produção de Plutão até as Plêiades! – Aqui em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão – Abaixada, mantenha sua cabeça abaixada – Aqui em baixo, em Hadestown, bem abaixo do chão – É preciso manter sua cabeça abaixada, se quiser manter sua cabeça Espere! Deve haver algum erro! – Ah, tá! Foi um “erro”, sim! – E, agora, você terá que pagar – Pagar! – Pagar por isso! Por toda a eternidade É como eu disse antes: muita coisa pode acontecer entre quatro paredes Eurídice era uma jovem garota faminta, mas ela não estava mais com fome Ela agora estava é morta Morta para o mundo, isto é Foi entre aquelas quatro paredes que ela abriu mão da prórpia vida Ela viu o relógio contando as horas Ouviu o grande sino tocando – Muitas almas precisam morrer – Para sustentar as fábricas! É preciso destruir muitas almas para manter o submundo funcionando Aqui em baixo, em Hadestown, – bem abaixo do chão – Bem abaixo do chão Eu só queriar poder dormir,

fechar meus olhos e desaparecer Como uma pétala num rio, como uma pluma ao vento O lírio branco e a papoula vermelha Estremeci quando ele me deitou “Você não vai sentir nada”, ele me disse, “quando você chegar lá” “Nada pode acordá-la agora” Sonhos são bons e, de repente, não são mais Os homens são gentis, e de repente, não são mais Flores desabrocham e, de repente, secam e morrem Alguém está me ouvindo? Tento gritar, mas não há nenhum som! Nada, nada vai me acordar agora! Flores Eu me lembro dos campos de flores, macias, sob meus pés, quando caminhava ao sol Me lembro de alguém, alguém ao meu lado Ele virou seu rosto para mim, mas eu preferi olhar para o lado sombrio Você, você que eu deixei para trás, se vier para cá, um dia, venha me encontrar na cama que eu fiz Venha comigo – É você! – Sou eu – Orfeu! – Eurídice! Eu estou aqui, vai ficar tudo bem Tudo bem? Como Como chegou até aqui? Pelo trem? Não, eu caminhei, por um longo caminho Como atravessou o muro? Cantei uma canção tão linda que os tijolos se emocionaram e me deixaram passar E cantarei de novo para voltarmos Não é possível – É sim – Não! Você não entende Meu jovem, acho que ainda não nos conhecemos Você não é daqui, é? Não sei quem é você, mas sei que não é daqui Estas pessoas são trabalhadoras, apenas cumpridoras da lei Volte para o lugar de onde veio, você está do lado errado do muro – Orfeu era um pobre garoto, – Você me ouviu, filho? – e Hades era um rei poderoso, – É melhor correr! mas este pobre garoto levantou sua voz, apesar de estar tremendo Não vou voltar sozinho Vim para levá-la comigo

Quem você acha que é? Com quem pensa que está falando? Ela não pode sair daqui, mesmo se quiser Você não é daqui, filho, se fosse, saberia muito bem que tudo e todos em Hadestown são minhas propriedades Mas eu apenas compro o que querem me vender Ah, você não sabia? Ela mesma assinou o contrato – E agora ela pertence a mim – Não é verdade! Não é verdade! – O que ele disse – É sim! É sim Quanto a você Pessoal, venham aqui! Venham ver o que acontece com invasores que não respeitam propriedades! Por que o esforço? Por que tentar? Por que causar problemas? Por que fazer escândalo? Por que lutar contra o vento? Por que nadar contra a maré? Não faz, não faz, não faz sentido Você está destinado, destinado, destinado a perder O que foi feito, feito, feito está feito É assim que o rio corre Então por que se molhar? Por que suar? Por que gastar o ar de seus pulmões? Por que esquentar a cabeça? Nada muda Nada muda Nada muda, não importa o que aconteça Se é verdade o que dizem Se não há nada a fazer Se é verdade que é tarde demais E que a garota que amo se foi Dizem que é melhor eu voltar por onde eu vim <i> “Cada um por si”, eles dizem…</i> Acho que foi assim que se sentiu Se é verdade o que dizem, eu vou seguir meu caminho Se é verdade o que dizem, Para que serve um homem que foge da luta? Que abre mão de tudo? Para que serve sua coluna

se ele nunca se erguer? Se ele dá as costas a todos? Será que devo desistir? O rapaz se preparou para ir, porque ele achou que ninguém estava ouvindo, mas todos sabem que as paredes têm ouvidos – Os trabalhadores escutaram – Se é verdade o que dizem – Com seus martelos ao chão – Para que serve um homem – E pararam de trabalhar – Que foge da luta? – Quando o ouviram cantar – Que abre mão de tudo? – Os martelos pararam – Para que serve sua coluna – Nenhum som de picareta – Se ele nunca se erguer? – Eles pararam e escutaram – Se ele dá as costas a todos? – Ao pobre garoto cantar – Será que ele deve desistir? Se é verdade o que dizem, vou seguir meu caminho Mas, irmão, quem são eles para dizer o que é verdade ou não? Porque os que mais mentem são os que mais juram dizer a verdade E aqueles que trapaceiam sempre dizem que o jogo é justo – E os que distribuem as cartas – Distribuem as cartas São os que escondem cartas nas mangas, jurando de pés juntos, enquanto você joga o jogo que eles manipulam – E aqueles que ditam as regras – Ditam as regras Sempre dizem que elas são absolutas E não haverá resposta se ninguém fizer a pergunta Então pergunto se é verdade Pergunto se você, e você, e você Acredito que nossas respostas valem mais do que o que eles dizem Vamos nos erguer Acredito que somos fortes enquanto houver esperança Ficaremos ao seu lado Acredito que há esperança! Acredito que juntos nós podemos! Vamos nos erguer e ficar ao seu lado Acredito que juntos somos mais fortes do que pensamos! – Estamos com você Acredito que somos mais fortes do que eles imaginam! Acredito que somos muitos enquanto eles são poucos! – Vamos nos erguer – Erguer E não cabe a poucos dizer a todos o que é verdade! Continuaremos a nos erguer – Eu pergunto: é verdade o que dizem? – Continuamos a nos erguer – Devo seguir meu caminho? – Vamos nos erguer – Digam-me o que fazer! – Vamos nos erguer – É verdade? – Vamos nos erguer É verdade o que dizem? Então, está feliz? – Por quê? – Provou seu poder Isso é sobre o garoto? Ele cantou uma canção hoje Você devia ter ouvido, tão linda, tão triste O amor que ele tem por ela é o amor que nós já tivemos Eu não ligo para a garota Eu sei, mas ela é tudo para ele E daí? Deixe-a ir Hades, meu marido, Hades, minha luz Hades, minha escuridão Se tivesse ouvido como ele cantou hoje, teria pena do pobre Orfeu Toda aquela tristeza não vai caber no coração dele, vai queimar como um fogo dentro de seu peito, seu coração será como um pássaro num espeto em seu peito Até quando? Até quando? Até quando? Até quando?

Enquanto Hades for rei Fazer pedidos às estrelas não leva a nada, cantar canções não leva a nada, não importa o quanto alguém esteja sofrendo Ofereça uma mão e vão querer um braço Mostre uma rachadura e vão destruir o muro Dê ouvidos a eles e o reino se desmoronará O reino se desmoronará por uma canção Você acha que ele liga para dilemas de reis? Para as leis do seu submundo? É apenas por amor que ele canta Ele canta pelo amor da garota Você e sua compaixão não têm lugar aqui, você queima como um fogo no centro da minha cama enquanto eu sou um pássaro num espeto, na minha cama Até quando? Até quando? Até quando? Até quando? Enquanto eu for sua esposa! É verdade, a terra deve morrer Mas a terra, então, volta à vida e o sol continua a brilhar Como o sol cabe no céu? Ele queima como um fogo no centro do céu e a terra é um pássaro num espeto, no céu Até quando? Até quando? Até quando? Todos sabem que as paredes têm ouvidos – É verdade? É verdade? – Que barulho é esse? – É verdade? É verdade? E as paredes ouviram o que o garoto dizia – É verdade? É verdade? – É esse o garoto! – É verdade? É verdade? Um milhão de toneladas de pedras e aço – É verdade? É verdade? – Ecoaram seu refrão – É verdade? É verdade? Abaixada, mantenha sua cabeça abaixada É preciso manter sua cabeça abaixada Se quiser manter sua cabeça, mantenha sua cabeça abaixada Mantenha sua cabeça abaixada É preciso manter sua cabeça abaixada Se quiser manter sua cabeça, mantenha sua cabeça abaixada Quando eu era jovem como você, eu também amava uma mulher Ela estava em minhas mãos, quando eu era jovem Agora você sabe como é, mulheres são ágeis como enguias Mulheres, rápidas como víboras, sempre fugindo do seu controle Ouça um conselho de um homem experiente: se quiser prender uma mulher, filho, amarre uma corrente no pescoço dela, feita de ouro com muitos quilates Algeme-a, de um pulso a outro, com algemas de prata Encha os bolsos dela com pedras preciosas, como diamantes Amarre-a com uma corda de ouro, ouça este velho homem Abaixada! – Se eu levantar a voz – Se eu levantar a voz Mantenha sua cabeça abaixada! – Se eu erguer minha cabeça – Se eu erguer minha cabeça Mantenha sua cabeça abaixada! – Conseguirei mudá-lo? – Conseguirei mudá-lo? É preciso manter sua cabeça abaixada! – Se eu levantar a voz – Cabeça abaixada! Conseguirei fazer a diferença? Por que abandonamos um irmão ferido? – Abaixada, mantenha sua cabeça – Por que construímos um muro e o chamamos de “liberdade”? Mantenha sua cabeça Se somos livres, então por que não posso olhar meus irmãos nos olhos? Mantenha sua cabeça Quando eu era uma jovem garota como você, o submundo era mais jovem também Tudo era possível quando eu era uma jovem garota Mas de tanto ficar nesta cidade de aço e pedra me esqueci de ser feliz até que ouvi seu Orfeu Há algo na forma como ele canta, acredito que ele pode fazer o mais poderoso dos reis chorar,

mesmo depois de tanto tempo Irmã, mesmo na minha idade, acredito que o mundo pode mudar Irmã, é assim que começamos a tocar um coração! Abaixada! – Não é tarde demais – Não é tarde demais Mantenha sua cabeça abaixada! – Se eu ainda tenho tempo – Se eu ainda tenho tempo Mantenha sua cabeça abaixada! – Posso mudar meu destino? – Posso mudar meu destino? É preciso manter sua cabeça abaixada! – Se não for tarde demais – Mantenha sua cabeça abaixada! Posso mudar meu destino? Por que não mudamos o curso desse rio? – Mantenha sua cabeça abaixada! – Por que não são gratos a mim? – Mantenha sua cabeça abaixada! Se somos livres, então por que não podemos sair daqui? Se somos livres, então quando é que você vai me apoiar? Mantenha sua cabeça Meu jovem, eu já fui jovem também, já cantei canções de amor também Acreditava em união Deixe-me dizer como as coisas são: amores acabam, irmãos são traiçoeiros, mudam como o clima num dia turbulento Te esfaqueiam pelas costas assim que você se virar Agora canto uma canção diferente, uma na qual eu acredito A mesma nota musical, a mesma batida É a melodia das máquinas Consegue ouvir esse metal? É a sinfonia de Hadestown E nessa minha sinfonia com acordes fortes e linhas de energia, meu jovem, você pode tocar sua música Eu cobri o mundo com fios! Meu jovem, pode cantar sua musiquinha, porque eu conduzo a cidade elétrica! Vou lhe dizer uma coisa, meu jovem, já que minha esposa é sua fã E já que vou contar até três e acabar com o seu sofrimento Um! Cante mais uma canção, só mais uma antes que eu lhe envie Dois! Para o fim do mundo, onde ninguém vai ouví-lo cantar Três! Cante uma canção para mim Faça-me rir, faça-me chorar Faça o rei se sentir jovem novamente Cante para um velho homem Lá no começo, havia uma mulher e um homem Não sei como a história termina, mas foi assim que começou Rei do ferro, rei do aço O coração do rei é duro e pesado Amava as coisas como o martelo ama o prego Via tudo com um olhar muito severo Mas o mais duro dos corações amoleceu, de repente, quando ele a viu Madame Perséfone caminhando no jardim com o sol sobre seus ombros e vento em seus cabelos Ele sentiu o perfume da flor que ela trazia enquanto um pouco de pólen caía daqueles dedos E, de repente, Hades era apenas um homem Com seu chapéu em suas mãos e uma canção em seus lábios Ele não sabia como, ele não sabia por quê, mas sabia que queria levá-la para casa Quando ele a viu lá, sozinha, contra os céus, era como se ele a conhecesse desde sempre

E o sol nasceu e brilhou em seu peito quando ele a abraçou Ele sentiu que a vida não fazia sentido sem ela, e não haviam palavras para descrever o que ele sentiu, então ele abriu sua boca e começou a cantar: “La, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la, la” Onde ouviu essa melodia? – “La, la, la, la, la, la, la” – “La, la, la, la, la, la, la” E o que aconteceu com o coração daquele homem agora que o homem virou rei? O que aconteceu com o coração daquele homem agora que ele tem tudo? Quanto mais ele tem, mais ele tem que aguentar, maior é o peso do mundo sobre seus ombros Veja como ele sofre com esse fardo, com medo de olhar para os lados e perder o controle Então ele mantém sua cabeça abaixada e suas costas cansadas Ele tem tanto medo de perder o que tem, O que ele não sabe é que aquilo que está protegendo já se foi Onde está o tesouro que estava no seu peito? Onde está seu prazer? Onde está sua juventude? Onde está aquele homem com seu chapéu em suas mãos que estava no jardim sem nada a perder Cantando “La, la, la, la, la, la, la” “La, la, la, la, la, la, la” – “La, la, la, la, la, la, la” – “La, la, la, la, la, la, la” – “La, la, la, la, la, la, la” O que aconteceu depois disso, essa parte eu sei que é verdade, que, por um momento, Orfeu reajustou o mundo Hades e Perséfone juntaram suas mãos E sabe o que fizeram depois, irmão? Eles dançaram! Orfeu era um pobre garoto

nesse mundo de deuses e homens Os deuses lhe deram um dom e ele o devolveu a eles Eurídice era uma jovem garota, e depois de tudo o que já havia visto de repente, ela viu o mundo como ele poderia ser Vamos Vamos agora mesmo! Tudo bem, vamos embora Agora Vá em frente e eu lhe sigo É só voltar por onde veio É um longo caminho, uma longa caminhada em direção à fria escuridão Tem certeza de que quer vir? Leve-me agora Não tenho nenhum anel para seus dedos, não tenho nenhum banquete para oferecer, não tenho uma cama de plumas e nenhuma das promessas que fiz Não posso lhe prometer um céu calmo, não posso lhe prometer uma jornada tranquila, Mas estarei ao seu lado, meu amor, não importa o que aconteça Não preciso de ouro, não preciso de prata, apenas um pão quando sentir fome e uma fogueira quando sentir frio Não preciso de um anel em meu dedo, só preciso de uma mão para segurar Não me prometa um céu calmo, não me prometa uma jornada tranquila Apenas fique ao meu lado, meu amor, não importa o que aconteça – Mas e ele? – Ele nos deixará partir Olhe para ele, ele não conseguirá dizer “não” – Mas e eles? – Mostraremos o caminho Se nós conseguirmos, eles também conseguem Eu não sei aonde essa estrada vai nos levar, mas vou caminhar segurando suas mãos Não posso lhe prometer um céu calmo, não posso lhe prometer uma jornada tranquila, mas vou caminhar com você, meu amor, não importa o que aconteça Você aceita caminhar comigo? – Aceito – Eu também, eu também E continuará caminhando na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza? – Continuarei – Continuarei Continuaremos E, assim, o pobre garoto perguntou ao rei: Podemos ir? E foi assim que ele lhe respondeu: Eu não sei – Pense rápido – Mantenha a postura Preso entre a cruz e a espada! O que vai fazer, o que vai fazer, o que vai fazer, o que vai fazer agora? Se disser “não”, você é um homem sem coração e vai transformar o rapaz num mártir Se deixá-lo ir, você será um rei frouxo e nunca mais terá o respeito deles Não pode aceitar, não pode recusar, todos os olhos estão voltados para você! O que vai fazer, o que vai fazer, o que vai fazer, o que vai fazer agora? Aqui vai uma dica, umas palavras de sabedoria Aqui vai um pequeno conselho: homens são tolos Homens são frágeis

Dê-lhes uma corda e eles mesmos se enforcam Maldito seja esse Orfeu e seu beijo de cascavel Lindo e venenoso, amoroso e mortal Agora arde minha língua e queima meus pulmões Fui pego, fui picado, o mal já está feito Este valete de copas é perigoso, com seu beijo, uma revolução começou Todos os meus filhos eram pobres, implorando por comida e moradia Mas agora o que é que pedem? “Liberdade!”, “Liberdade!” Será que me tornei o rei deles só para ser golpeado pela espada de um irritante acorde menor? Quem vai liderá-los? Quem planeja os melhores planos? Quem dá emprego a mãos ociosas? Só há uma coisa a se fazer: deixá-los ir, mas deixar tudo tão escuro que eles possam se perder Orfeu, aquele que não pertence a esse lugar, não poderá olhar para trás Se ela estiver fora de seu campo de visão, ele ficará louco Todo covarde parece corajoso na segurança de uma multidão A coragem é contagiosa quando seu som é ensurdecedor Nada faz um homem mais corajoso do que ter o sorriso de uma mulher e uma mão para segurar, mas quando está sozinho, sua coragem desaparece E a insegurança A insegurança toma conta – O que foi? – Bem, ele deixou vocês irem – Deixou? Deixou? – Deixou – Mas não é tão simples assim – Por quê? Vocês podem ir, mas não caminharão como de costume – Como assim? – Por que não? Bem, vocês não estarão de mãos dadas, não estarão lado a lado, juntinhos, nada disso Ele disse que você tem que ir na frente e ela tem que lhe seguir – Por que? – E se você olhar para trás para ver se ela está vindo, ela ficará em Hadestown e não há nada que você possa fazer – Mas por quê? – Por que construir muros? Para manter os inimigos longe

– Para entrar apenas os que sabem escalar! – É uma armadilha? É um teste – Confiam um no outro? Confiam em si mesmos? – Sim! Então ouça, irmão, se quiser sair do inferno, terá que provar seu valor diante de deuses e homens Podem fazer isso? Sim! Certo, hora de ir! – Sr. Hermes? – Sim? – Não é um golpe? – Não É um teste! O cão mais feroz que existe não é um vira-lata de rua, mas sim aquele que uiva em sua mente É ele que uiva até te deixar louco e leva o homem a fazer bobagem! Espere por mim, estou chegando Espere, eu vou com você Espere por mim, eu vou também, eu vou também Mostre-nos o caminho para vermos, mostre-nos como o mundo pode ser Se você consegue, ela consegue Se ela consegue, nós conseguimos – Mostre como – Mostre como o mundo pode ser – Mostre – Mostre o caminho para acreditarmos – Mostre o caminho – Vamos aonde você for Vamos seguí-lo se você mostrar o caminho – Acha que vão conseguir? – Eu não sei Hades, você os deixou ir Deixem tentarem ir Mas eu e você? Podemos tentar de novo Já é quase primavera, tentamos de novo quando outono chegar – Vai esperar por mim? – Sim Espere por mim, estou chegando! Espere, eu vou com você! Espere por mim, eu vou também, eu vou também! Quem é você? Quem pensa que é? Quem é você? Quem é você para deixá-la sozinha? Quem é você para liderá-los? – Quem é você – Para achar que é melhor que seus companheiros? Você tem uma solitária jornada para seguir e não é junto ao trilho do trem Também não é sobre o pavimento que você já conhece muito bem Eu digo onde a verdadeira jornada está: entre suas orelhas, atrás de seus olhos Este é o caminho para o paraíso, mas também é o caminho para o fracasso Espere por mim, estou chegando! Espere, eu vou com você! Espere por mim, eu vou também! Espere por mim, estou chegando! Espere, eu vou com você! – Espere por mim, eu vou também! – Espere, eu vou também! – Mostre o caminho! – Estou indo, espere por mim! – Mostre o caminho! – Ouço as paredes tremendo, os tijolos caindo aos meus pés – fazem sons de tambores! – Mostre o caminho! – Sabemos que não estamos sozinhos! – Mostre o caminho! – Ouvimos as pedras e rochas – Mostre o caminho! Ecoando nossa canção! – Estou chegando! – Estou chegando! La, la, la, la, la, la, la! La, la, la, la, la, la

– A insegurança surge – O vento está mudando – A insegurança surge – E começa a tomar conta – A insegurança surge – E encontra um estranho andando sozinho em uma estrada Onde ela está? Onde ela está agora? – A insegurança surge – Onde estou? – Para onde devo ir? Onde estou? – A insegurança surge – Por que estou sozinho? – A insegurança surge Quem eu penso que sou? Por que eu pensei que ela me seguiria nesse caminho frio e sombrio? Onde ela está? – Onde ela está agora? – Orfeu – Onde ela está agora? – Onde ela está agora? – Ouça, estou bem aqui – Estamos aqui – E vou estar até o fim dos tempos – E vamos estar até o fim dos tempos – Aqui com você – Aqui com você La, la, la, la, la, la, la! La, la, la, la, la, la Quem sou eu Quem sou eu contra ele? Quem sou eu? Por que ele me deixaria vencer? Por que ele a deixaria ir? Quem sou eu para achar que ele me daria uma chance de vencer? – A insegurança surge, o vento está mudando – Isso é uma missão que me deram? – A insegurança surge e começa a tomar conta – Isso é um truque e estão me enganando? – A insegurança surge e encontra um estranho – Eu costumava ver como o mundo poderia ser – Andando sozinho em uma estrada – Mas agora só o vejo como é Onde ela está? Onde ela está agora? Orfeu, você não está sozinho – Estou bem atrás de você – Estamos bem atrás de você – Como sempre estive – Como sempre estivemos – Durante todo esse tempo – Durante todo esse tempo – Vamos escalar o muro – Vamos escalar o muro Com você Comigo Orfeu Eurídice? Olá Muito bem Muito bem É uma velha canção É uma velha história de muito tempo atrás É uma velha canção E é assim que termina É o que acontece Não pergunte por que, irmão, não pergunte como Ele chegou tão perto

A canção foi composta há muito tempo E ela é assim É uma triste canção É uma triste história é uma tragédia É uma triste canção Mas cantamos mesmo assim Sabe por quê? Porque saber como acaba e, mesmo assim, continuar cantando como se o final fosse ser diferente, dessa vez Aprendi isso com um velho amigo Orfeu era um pobre garoto Alguém tem um palito de fósforo? Mas ele tinha um dom para oferecer – Dê-me isso – Ele te fazia ver como o mundo poderia ser Em vez de como realmente é Estão vendo? Estão ouvindo? Estão sentindo? Como um trem Está vindo Em nossa direção Num dia de sol havia um vagão e uma moça descendo do trem Todos ouviram e todos viram A primavera havia retornado – Com uma canção de amor – Com uma canção de amor – Com uma canção de amor – Com uma história de amor muito antiga – É uma triste canção – É uma triste canção – É uma triste canção – Mas continuamos cantando mesmo assim – É uma velha canção – É uma velha canção – É uma velha canção – Sobre uma história muito antiga – E vamos cantá-la de novo e de novo! – De novo e de novo! Vamos cantar Vamos cantar – É uma canção de amor – É uma canção de amor É uma história de amor muito antiga – É uma triste canção – É uma triste canção Mas continuamos a cantar mesmo assim – É uma velha canção – É uma velha canção É uma velha história de muito tempo atrás – E vamos cantá-la de novo e de novo! – De novo e de novo! Vamos cantá-la de novo